Comparativo de carros brasileiros, porque só ganhamos no preço?

Vamos fazer um comparativo diferente em relação aos carros brasileiros. Se você tiver o mínimo de censo critico já deve ter se perguntado, por que nos cobram tão caro pelo pouco que nos oferecem?

A resposta é simples, historicamente o brasileiro não tem a cultura de reclamar pelos seus direitos, os carros nacionais sempre foram inferiores aos vendidos lá fora, mesmo custando bem mais caro que em países com a renda per capta bem superior a nossa. Ainda assim não é difícil encontrar fila de espera nas concessionárias para comprar carros, principalmente quando eles mudam a maquilagem e trocam a posição de algum farol e relançam algum modelo com o slogan de “Novo” na frente do nome.

Alguns exemplos dos modelos nacionais e seus irmãos europeus, nosso “GM Vectra” por exemplo é na verdade e geração anterior no “Opel Astra” da Europa:
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O Brasil não é conhecido somente como o país do samba e do futebol, é também campeão nos altos preços dos veículos em relação a países como Estados Unidos, México, Argentina e outros da União Europeia. Os números comprovam que o país lidera nesse quesito. Uma picape Toyota Hilux 4X2 cabine dupla, que custa R$ 73.766 no Brasil, é vendida por 88.100 pesos para os “hermanos argentinos”, o equivalente a R$ 59.979. Mais luxuoso, o importado Ford Edge é ofertado no mercado brasileiro por R$ 149.700, mas no México é vendido por menos da metade do preço: 364.000 pesos, ou seja, R$ 59.282. O contraste seria ainda maior ao considerar Estados Unidos ou Europa.

O motivo para tamanha diferença de preços – e que mais gera discussões entre montadoras e governo – é a carga tributária. No Brasil, Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) representam, em média, 30,4% do valor que chega ao consumidor brasileiro.

“Este mesmo valor para outros países é bem menor. Na Espanha, por exemplo, representa 13,8%; na Itália, 16,7% e nos Estados Unidos, 6,1%”, afirma a vice-presidente da Booz & Company, Letícia Costa. Já os veículos importados de países sem acordo automotivo com o Brasil sofrem com a cobrança da alíquota de 35% sobre o valor do produto.

Entretanto, os impostos não são os únicos vilões. Também vão de “bagagem” outros fatores que exercem forte pressão sobre os preços dos carros. Um deles é o chamado custo Brasil, que abrange desde o valor da mão-de-obra até o desembaraço alfandegário, no caso da importação de produtos e peças. Nesse aspecto, destacam-se os gastos com logística, já que o país tem grande extensão e depende, basicamente, de rodovias e portos para transporte. As rodovias, em especial, deixam a desejar em qualidade, ao comparar, por exemplo, com a infraestrutura norte-americana.

A escala de produção é outro fator que influencia os preços, já que quanto maior o volume fabricado, menores são os gastos. Ao comparar com Estados Unidos, China, Japão e Alemanha, a produção da indústria automobilística nacional é bem menor, com capacidade para 3,5 milhões de unidades por ano. Para ter idéia, somente em 2007, os Estados Unidos produziram 10,780 milhões de veículos.

De acordo com Letícia Costa, existe ainda a “taxa de conforto”. “Em muitos casos, os fabricantes nacionais, nesta e em outras indústrias, preferem pagar um preço ligeiramente maior por insumos e materiais para evitar problemas com suas cadeias de suprimentos, como greves na polícia federal e problemas com portos”, acrescenta.

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